Desafio em grupo para nutricionista: como montar e transformar em pacientes

Desafio em grupo para nutricionista: como montar e transformar em pacientes

Desafio em grupo é uma intervenção curta, normalmente de 21 a 28 dias, em que você acompanha um grupo de pacientes com metas semanais, gamificação e uma oferta de acompanhamento no último dia. Bem feito, ele ajuda o participante a implementar um ou dois hábitos que ele carrega por meses e vira uma das alavancas de captação mais fortes que existem, dependendo do perfil do seu público.

Pra montar um desafio que funciona, você define nessa ordem: objetivo, duração, metas semanais, entregáveis de acordo com o ticket, gamificação e, a parte mais importante, a oferta de fechamento. Se você ainda está decidindo qual canal priorizar, vale ler antes como escolher a alavanca de captação certa pro seu momento.

Por que tanto nutricionista torce o nariz pra desafio

Desafio ganhou fama ruim por causa de quem usa a ferramenta com promessa agressiva, tipo "perca 30 kg em 10 dias" ou "mude sua vida em 21 dias". O segundo motivo é uma expectativa errada sobre o que um desafio deveria entregar. Como qualquer ferramenta, ele pode ser usado pro bem ou pro mal, e o resultado depende de como você monta.

A objeção mais comum é: "não consigo resolver a vida do paciente em 21 dias". Verdade. Ninguém consegue, e o desafio não foi feito pra isso.

Pensa nos eventos do Front. Em 8 horas a gente fala de um tema que na mentoria leva 80, 160 ou 250 horas. O evento não resolve a carreira de quem assiste, mas dá insights que o nutri aplica na semana seguinte e abre o olho pra coisas que ele vai resolver depois com outras ferramentas.

O desafio tem a mesma intenção. Durante 20, 30 ou 40 dias de proximidade, você consegue fazer o paciente implementar um ou dois hábitos que ele leva pra frente por meses ou anos. Se ele quiser resolver o problema inteiro, vai precisar de acompanhamento de longo prazo. Isso é indiscutível.

Como definir o objetivo do desafio

O primeiro passo é decidir o que o desafio quer alcançar, porque isso define a duração e as metas de cada semana. Pode ser um objetivo mensurável, como perda de peso, ou algo mais comportamental, como organizar a rotina ou fazer a pessoa ter adesão aos hábitos que ela já conhece.

Tipo de objetivoExemploQuando faz sentido
Resultado mensurávelPerda de pesoQuando seu público conversa bem com essa temática
OrganizaçãoImplementar hábitos que economizam tempo e facilitam seguir o planoPúblico sem rotina estruturada
AdesãoFazer de fato o que a pessoa já sabe fazerQuem treina duas vezes por semana e segue 30% das refeições
Evento com data marcadaPreparação pra competição interna de um box de CrossFitParcerias com academias, boxes e assessorias

O desafio de adesão costuma ser subestimado. Muita gente até sabe comer e treinar mais ou menos, o problema é que não faz. Trabalhar motivação e constância nesse público gera mais resultado do que ensinar coisa nova. Se esse tema é recorrente no seu consultório, o artigo sobre paciente sem adesão ao plano alimentar ajuda a enquadrar o problema.

O desafio com data marcada também funciona muito bem. Se os alunos de um box têm competição daqui a 30 dias e performam melhor, eles atribuem parte desse resultado ao seu acompanhamento.

Qual a duração ideal de um desafio em grupo

A duração precisa ser coerente com o objetivo. Um desafio pra perder 10 kg não cabe em 21 dias, ele precisa de uns quatro meses. Se o desafio termina numa competição daqui a 40 dias, ele dura 40 dias. Quando o objetivo permite escolher, o padrão ouro comercial fica entre 21 e 28 dias.

O motivo é simples. Com três ou quatro semanas, a pessoa ainda está empolgada com o projeto novo e já teve tempo de ter algum resultado. Quando a oferta aparece no último dia, ela tem prova social nela mesma pra subir pra um plano de acompanhamento mais próximo.

Como montar as metas semanais

Cada semana tem uma meta e uma temática, e elas são cumulativas. Na primeira semana a pessoa faz A, na segunda faz A e B, na terceira faz A, B e C. As metas são de comportamento e hábito. Nada de "perca 2 kg na semana um e 4 kg na semana dois".

Um exemplo de desafio de 28 dias focado em organização:

  1. Semana 1: reservar dois dias pra fazer as marmitas dos próximos dias e congelar.
  2. Semana 2: manter as marmitas e pedir iFood uma vez ou menos na semana.
  3. Semana 3: manter as duas metas anteriores e treinar de três a quatro vezes.
  4. Semana 4: fazer tudo junto, que é a rotina "ideal" daquele desafio.

Outras metas que entram bem, dependendo do público: fazer compras menores e mais frequentes (quem vai ao mercado uma vez por mês raramente tem fruta e vegetal fresco em casa), consumo mínimo de fibras, consumo mínimo de água e um tempo pela manhã sem celular pra ler ou meditar.

O que entregar em cada faixa de preço

O que o participante recebe depende do quanto você cobra. Desafio gratuito entrega orientação geral pro grupo. Ticket médio entrega cardápios base com material pra pessoa personalizar. Ticket alto entrega cardápio individual e, às vezes, avaliações físicas. Os valores abaixo são uma referência geral e variam com o seu público.

TicketEntrega típica
GratuitoOrientações gerais pro grupo em texto, vídeo, live ou encontro, sem cardápio
R$ 30 a R$ 100Três ou quatro cardápios base por perfil, mais materiais pra pessoa customizar
R$ 150 a R$ 400Cardápio individual, geralmente feito por formulário, e às vezes uma a três avaliações físicas

Vale fazer desafio gratuito?

Desafio gratuito serve pra testar o produto quando você ainda tem pouca audiência. Ele traz mais alcance e mais gente entra, mas se você já tem alguma experiência e algum público, cobre pelo menos um pouco. O preço filtra os curiosos que só fariam volume.

Um grupo com 100 pessoas em que só 30 interagem funciona pior do que um grupo com 20 pessoas em que as 20 interagem. Gente só assistindo tira o entrosamento e a sensação de que aquele é um lugar seguro pra falar.

No gratuito, a orientação é sempre pro grupo inteiro e acompanha a meta da semana. Se a meta é fazer marmita e congelar, você produz um material sobre congelamento: o que pode, o que não pode e como fazer.

Cardápio base no ticket médio

No ticket médio, você monta três ou quatro cardápios pros perfis que mais aparecem, como mulheres que treinam uma ou duas vezes por semana em determinadas faixas de peso. Eles não são otimizados pra cada pessoa. A ideia é dar uma base e, ao longo do desafio, entregar materiais que ensinem a ajustar, como montar um bom pré-treino ou em que horário consumir.

Kits, camisetas e encontros presenciais

Kit físico de presente funciona muito, mas tem custo financeiro e de energia pra produzir e enviar, então fica pros tickets mais altos. Em grupo muito nichado, como um desafio só de corredores, vale incluir uma camiseta. Se quatro participantes correm a mesma meia maratona usando a camiseta com seu nome, isso chama atenção e passa credibilidade.

Quando os participantes são da mesma região, encontros presenciais também podem entrar como entregável.

Quer montar sua estratégia de captação com alguém olhando pro seu caso, seja por desafio, tráfego, parceria ou conteúdo? O Nutri no Front constrói isso junto com você.

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Como gamificar o desafio sem premiar quilo perdido

Gamificação é o que faz a pessoa se empolgar, querer competir e aumentar a adesão. É por isso que paciente travado há quatro ou seis meses às vezes bate o objetivo num grupo de 28 dias. A estrutura básica é tarefa, pontuação e premiação, e o caminho que a gente evita é premiar quem perdeu mais peso.

Você propõe tarefas e atribui pontos a cada uma. Por exemplo: cada treino de musculação vale três pontos, cada cárdio vale um, cada refeição feita certa vale cinco e cada fim de semana sem pedir iFood vale quatro. O participante prova que cumpriu e, no fim, quem tiver mais pontos ganha.

Dá pra controlar na mão, com foto no grupo ou post nos melhores amigos marcando o perfil do desafio, e uma planilha. Mas existem serviços prontos de gamificação que fazem esse rastreamento e têm mecânicas pra dificultar que alguém tire dez fotos num dia e poste em dez dias diferentes.

Pontos corridos ou premiação por categoria?

São os dois jeitos de ranquear. A escolha depende de quão parecidos são os participantes.

ModeloComo funcionaQuando usar
Pontos corridosSoma geral; primeiro, segundo e terceiro lugar ganhamGrupo homogêneo, como mulheres de 20 a 30 anos ativas com rotina parecida
Por categoriaPrêmio pra quem treinou mais vezes, pra quem saiu menos da dieta no fim de semana e assim por dianteGrupo heterogêneo

A gente viu o problema de perto com uma aluna da mentoria. No grupo dela tinha uma universitária de 20 anos que conseguia treinar três vezes por dia e uma mulher de 50 anos que trabalhava, tinha filho pequeno e só conseguia três treinos por semana. As duas se esforçavam igual, talvez a segunda até mais, mas ela ficava muito pra trás na soma. Premiar por categoria evita esse tipo de injustiça.

Vale incluir também prêmios votados pela comunidade, como pessoa mais simpática, mais engajada ou que mais evoluiu. Não tem a ver com mérito, mas aumenta muito o entrosamento.

O que dar de prêmio

Não precisa ser caro. Prêmio bom aumenta o nível de competição, mas a vontade de pertencer e competir com o grupo já faz boa parte do trabalho. O que importa é saber o que motiva o seu público: pode ser uma cesta de suplementos, roupa de academia ou tênis de corrida. Na dúvida, pergunte aos participantes antes do desafio começar.

Parte da premiação costuma ser ligada ao seu serviço, como uma avaliação física, um desconto maior pra entrar no acompanhamento ou um mês de plano. E em vez de premiar só o primeiro lugar, premie do primeiro ao quinto, pra mais gente ter chance.

Como manter o grupo engajado

Gamificação só funciona em comunidade engajada. Um prêmio ótimo num grupo de 100 pessoas em silêncio não roda, e a experiência de participar fica ruim. Três coisas facilitam: fazer o desafio dentro de uma comunidade que já existe, ter infiltrados nas primeiras semanas e definir todas as regras logo no começo.

Comunidade que já existe. Se o desafio é com os alunos de um box de CrossFit, todo mundo já se conhece e tem intimidade. A sua vida fica muito mais fácil.

Infiltrados. Num grupo de seguidores que não se conhecem, as primeiras semanas são sempre mais difíceis e quem puxa conversa e manda a primeira foto é você. Pacientes próximos, uma amiga ou um estagiário participando do grupo ajudam muito: você manda a mensagem, eles respondem primeiro, e o resto do grupo vai entrando.

Regras claras. Se você não define o tempo mínimo de um treino pra valer três pontos, alguém vai fazer dez minutos de esteira depois da musculação e marcar ponto de cárdio, outra pessoa vai achar injusto e a discussão está criada. Pense nos problemas possíveis antes e coloque as regras num PDF ou vídeo que a pessoa possa consultar depois.

Como fazer a oferta de fechamento do desafio

Pra maioria dos nutricionistas, o dinheiro do desafio vem de quem entra no acompanhamento depois, então o fechamento é a parte mais importante. Quanto mais proximidade nesse momento, melhor: evento presencial é o padrão ouro, depois uma live ou chamada online, e por último o fechamento em texto pelo WhatsApp, onde você com certeza vai perder venda.

Se não dá pra fazer presencial por logística, grana ou distância, pelo menos faça alguma coisa ao vivo.

O que dizer no encontro de fechamento

O roteiro tem três partes. Primeiro, um retrospecto da jornada: como o grupo chegou, as dificuldades de cada um, os momentos marcantes e onde cada um está hoje. Depois, o que a turma aprendeu e no que prestar atenção pra quem for seguir sozinho. Por fim, a mensagem de que o grupo acaba hoje, que algumas pessoas pediram pra continuar e que você está abrindo uma condição especial pra quem quiser entrar no acompanhamento.

O que mais facilita essa venda é a confiança que a pessoa ganhou em você e na própria capacidade de seguir um planejamento. Por isso a oferta não precisa ser agressiva. As duas mais validadas pela galera do Front são um desconto pequeno, de 5% a 10%, ou um mês a mais em planos trimestrais e semestrais, espaçando um pouco as consultas sem precisar dar uma consulta extra. Se você ainda não tem seus planos estruturados, comece por como montar sua oferta de acompanhamento.

A sequência de mensagens depois do encontro

A oferta fica aberta por quatro ou cinco dias. Ela funciona como um empurrão pra quem já está pronto, por isso o prazo é curto.

  1. No encontro: você apresenta a oferta e explica como funciona.
  2. No mesmo dia: mensagem no privado de todo mundo com a condição e o prazo, pra alcançar quem não foi ou não prestou atenção.
  3. No último dia da oferta: nova mensagem pra quem não respondeu, avisando que a condição encerra.

Assim você garante que ninguém ficou de fora por não ter ficado sabendo. A lógica é parecida com a de uma campanha de condição especial no consultório.

A segunda chance de venda, um mês depois

Muita gente termina o desafio achando que consegue seguir sozinha. Sem o grupo e sem a gamificação, a adesão cai e, com o passar das semanas, a pessoa percebe que aquilo fazia diferença. Por isso vale manter um follow-up cuidadoso e voltar com uma segunda oferta depois de um mês e pouco.

Essa segunda oferta pode ser melhor que a sua condição padrão, mas não tão boa quanto a do dia do evento, pra não ser injusto com quem comprou antes. Pra organizar esse contato, veja como recuperar leads que não fecharam no WhatsApp.

Desafio em parceria com influenciadora ou outros profissionais

Pra quem tem pouca audiência, desafio em parceria com uma influenciadora do seu nicho funciona bem. Ela divulga pra comunidade dela e participa do grupo engajando. Já a parceria com outros profissionais pede cuidado, porque três ofertas diferentes no fechamento tiram o foco do lead e derrubam suas vendas.

Na parceria com influenciadora, um combinado comum é que toda a renda dos ingressos fique com ela, e você ganha com quem entra no seu plano depois. Ela precisa estar dentro do grupo, porque em princípio a comunidade é dela.

Com psicóloga e educador físico, o grupo fica mais completo e com mais dinâmica. O problema aparece no fechamento, quando o participante precisa escolher entre plano com a nutri, sessão de terapia ou um mês de personal. A saída é trazer esses profissionais como convidados ou contratados: você paga as horas que eles dedicam ao desafio e, no fim, a única oferta é a sua.

Perguntas frequentes

Desafio em grupo funciona pra emagrecimento?

Funciona, desde que a duração seja coerente com a meta. Perder 10 kg pede algo em torno de quatro meses. Num desafio de 21 a 28 dias, o objetivo é implementar um ou dois hábitos que a pessoa carrega depois, e o resultado completo vem do acompanhamento de longo prazo.

Quanto cobrar por um desafio em grupo?

Como referência geral: gratuito pra testar quando você tem pouca audiência, de R$ 30 a R$ 100 com cardápios base e orientação, e de R$ 150 a R$ 400 com cardápio individual e às vezes avaliações físicas. O valor certo depende do seu público e do que você entrega.

Qual a duração ideal de um desafio?

Comercialmente, de 21 a 28 dias. A pessoa ainda está empolgada e já teve algum resultado quando a oferta aparece. Se o objetivo pedir outro prazo, como uma competição em 40 dias, a duração acompanha o objetivo.

Como pontuar os participantes de forma justa?

Em grupo homogêneo, pontos corridos funcionam bem. Em grupo com rotinas muito diferentes, premie por categoria, como quem treinou mais vezes ou quem saiu menos da dieta no fim de semana, pra não punir quem tem menos tempo.

Qual desconto oferecer no fechamento do desafio?

Não precisa ser agressivo. Um desconto de 5% a 10% ou um mês a mais em planos trimestrais e semestrais costumam funcionar, porque o que mais vende é a confiança que a pessoa ganhou durante o desafio.

Posso fazer um desafio junto com psicóloga e educador físico?

Pode, mas evite três ofertas no fechamento. O melhor formato é contratar ou convidar esses profissionais, pagar as horas deles e manter só a sua oferta no final.

L

Lucas Ribeiro Nutricionista formado pela USP, onde fundou a LANAF. Teve um podcast, criou o NutriHub, se aprofundou em neurociência e comportamento e escreveu o livro que hoje é referência em comportamento alimentar. Gravou curso, deu aula em pós, virou mentor do Nutri no Front e, junto com seus sócios, lançou o Amplinutri. Hoje aplica toda essa experiência nos mais de mil nutricionistas do Front.