Nutricionista recém-formado: checklist para chegar pronto ao mercado

Nutricionista recém-formado: checklist para chegar pronto ao mercado

Se você está perto de se formar, existem quatro frentes pra resolver antes de pegar o diploma: cobrir as deficiências técnicas que a faculdade deixou, aprender a conduzir uma consulta do começo ao fim, preparar a parte comercial do consultório e começar a construir a captação de pacientes. Quem chega na formatura com essas frentes encaminhadas começa a atender em poucas semanas. Quem deixa pra depois gasta os primeiros meses tentando montar tudo ao mesmo tempo.

A ordem não precisa ser rígida. A captação, por exemplo, pode andar em paralelo com o estudo técnico. O que complica é deixar tudo pro mês seguinte à formatura.

Quais deficiências técnicas o recém-formado precisa cobrir?

A faculdade passa por muita coisa e aprofunda pouco. Antes de atender, vale escolher os temas que mais aparecem no consultório e estudar até ter segurança. Três grupos cobrem a maior parte dos casos do dia a dia: interpretação de exames, as condições clínicas mais comuns e as equações de avaliação.

Exames

Comece pelos que quase todo paciente traz: hemograma, perfil glicêmico e perfil lipídico. Depois entre nos exames específicos do seu público. Se você vai atender muito vegano, por exemplo, ferro e B12 precisam estar na ponta da língua.

Condições clínicas mais comuns

  • Problemas intestinais, com FODMAPs, intolerância à lactose e polióis
  • Diabetes e resistência à insulina
  • Dislipidemias e risco cardiovascular
  • Anemias

Equações e avaliação física

Gasto energético e antropometria precisam sair no automático. Se for investir num curso, um bom curso de antropometria e dobras costuma render mais do que comprar uma bioimpedância. E treine com a família: medir dobra em quem está em casa é o jeito mais barato de ganhar mão.

Como aprender a atender antes do primeiro paciente?

Saber nutrição e saber conduzir uma consulta são habilidades diferentes. O recém-formado precisa ter clareza do fluxo inteiro do atendimento, dos documentos que protegem o trabalho e do software que vai usar, pra que o primeiro paciente não vire um teste.

O fluxo básico de uma consulta tem seis etapas:

  1. Recepção
  2. Escuta
  3. Anamnese
  4. Avaliação física
  5. Cardápio
  6. Orientações

Junto disso entram o prontuário, que te protege caso algo dê errado, e o plano de tratamento, que mostra pro paciente onde ele está e pra onde vai.

Domine o software antes de precisar dele

Aprenda a usar o software de prescrição e crie seus modelos de cardápio e orientações com antecedência. Isso pesa direto na sua qualidade de vida. Se cada cardápio te toma duas horas e você atende dez pacientes, são vinte horas só montando plano. Com modelos prontos esse tempo cai bastante.

Pra organizar o estudo, faça essas etapas em ordem de prioridade: primeiro o que você vai usar em toda consulta, depois o que aparece de vez em quando. Se a insegurança na hora de atender pesa, leia também como ganhar confiança na clínica.

O que preparar na parte comercial do consultório?

Essa é a frente que a faculdade praticamente ignora. Antes de abrir agenda, você precisa de uma oferta com preço definido, clareza de pra quem vai atender, regras de funcionamento, um jeito de receber que não trave a venda, um lugar pra atender e mensagens prontas pro dia a dia.

Oferta, preço e público

Defina o que você vende e quanto custa, e monte um PDF de apresentação com isso. Se ainda não sabe por onde começar, este artigo sobre como montar a oferta e a precificação ajuda.

Sobre público: no começo, o nicho do recém-formado é pagar boleto. Dá pra atender quase todo mundo. As exceções que fazem sentido são crianças, casos muito complexos e transtornos alimentares, que pedem mais experiência.

Manual de boa convivência

No lugar de um contrato cheio de cláusulas, monte um manual de boa convivência. Ele explica como o acompanhamento funciona e deixa claras as regras de:

  • Atraso (por exemplo, tolerância de 10 minutos numa consulta de 50)
  • Remarcação
  • Cancelamento
  • Duração do plano

Envie depois do pagamento e peça um ok do paciente. É simples e evita boa parte das dores de cabeça.

Formas de recebimento

Receber só por Pix faz você perder venda de quem quer parcelar e abre espaço pra inadimplência. O formato mais usado é o link de pagamento.

OpçãoQuando faz sentido
InfinitePayPra começar, porque é simples de configurar
AsaasQuando o volume cresce, pelas taxas menores
Nubank PJPra separar o dinheiro do consultório

Onde atender

Comece no presencial. O atendimento cara a cara desenvolve o tato clínico mais rápido. Pra não assumir um aluguel fixo, alugue sala por hora e negocie. Uma sala de R$ 70 a hora pode sair por R$ 40 ou 50 nos primeiros três meses se você pedir.

Mensagens prontas

Deixe escritas a mensagem de confirmação de consulta, a de renovação e o seu roteiro de vendas. Pra estruturar o roteiro, veja como montar o processo de vendas pelo WhatsApp.

Se a formatura está a uns seis meses, esse é um bom momento pra estruturar o consultório com acompanhamento. É o que a gente faz no Nutri no Front.

Conhecer o Nutri no Front

Como começar a captar pacientes ainda na faculdade?

Comece a produzir conteúdo agora. A diferença aparece no primeiro mês de consultório: quem se forma com mil seguidores qualificados costuma começar faturando entre 5 e 10 mil, e quem começa do zero fica na faixa de 1 a 3 mil. Essa frente pode andar junto com o estudo técnico.

O que o estudante pode postar

Pode postar, desde que a bio diga "estudante de nutrição". Não pode prescrever dieta, e caso fictício precisa estar identificado como fictício. Pra escolher os formatos, veja os tipos de conteúdo que ajudam a captar pacientes.

Frequência e social selling

Frequência pesa mais que formato. Postar com regularidade constrói audiência mais rápido do que caprichar em um post por mês. Junto com isso, use o direct pra conversar com quem interage. O cenário ideal é ter seguidor perguntando quando você se forma.

Parcerias

Sonde parcerias desde já: boxes de crossfit, estúdios de pilates, educadores físicos, lojas de produtos naturais e influenciadores da sua cidade. Firme os acordos cerca de um mês antes de abrir a lista de espera. Mais detalhes nas alavancas de captação de pacientes e no artigo sobre como captar os primeiros pacientes.

Resumo do checklist

FrenteO que ter pronto antes da formatura
TécnicaExames, condições comuns, gasto energético e antropometria
AtendimentoFluxo da consulta, prontuário, plano de tratamento e modelos no software
PreparaçãoOferta, PDF de apresentação, público, manual de boa convivência, recebimento, sala e mensagens
CaptaçãoConteúdo frequente, social selling, parcerias e lista de espera

Perguntas frequentes

O que o nutricionista recém-formado precisa estudar antes de atender?

Interpretação de hemograma, perfil glicêmico e perfil lipídico, as condições mais comuns no consultório (intestinais, diabetes e resistência à insulina, dislipidemias e anemias) e as equações de gasto energético e antropometria.

Estudante de nutrição pode postar conteúdo no Instagram?

Pode, desde que a bio informe que é estudante de nutrição. Não pode prescrever dieta, e casos fictícios precisam ser identificados como fictícios.

O recém-formado precisa escolher um nicho?

No começo, não. O mais comum é atender a maior parte do público e deixar de fora só crianças, casos muito complexos e transtornos alimentares até ganhar experiência.

Vale receber só por Pix?

Não é o ideal. Sem cartão você perde venda de quem quer parcelar e aumenta o risco de inadimplência. Um link de pagamento resolve no começo.

Preciso de contrato com o paciente?

Um manual de boa convivência costuma resolver. Ele explica o funcionamento do acompanhamento e as regras de atraso, remarcação, cancelamento e duração do plano. Envie depois do pagamento e peça a confirmação do paciente.

Quando começar a buscar parcerias?

A sondagem pode começar ainda na faculdade. O ideal é firmar os acordos cerca de um mês antes de abrir a lista de espera.

L

Lucas Ribeiro Nutricionista formado pela USP, onde fundou a LANAF. Teve um podcast, criou o NutriHub, se aprofundou em neurociência e comportamento e escreveu o livro que hoje é referência em comportamento alimentar. Gravou curso, deu aula em pós, virou mentor do Nutri no Front e, junto com seus sócios, lançou o Amplinutri. Hoje aplica toda essa experiência nos mais de mil nutricionistas do Front.